Orações & Devoções

Ladainha para a boa morte

LADAINHA PARA A BOA MORTE

Sacramento da Extrema-Unção (imagem: blog Rainha dos Mártires).

Jesus disse-lhe: «Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês nisso?» (João 11, 25-26)

Senhor Jesus Cristo, Deus de bondade, Pai de misericórdia, ante Vós me apresento com o coração humilhado, contrito e arrependido. Recomendo-vos a minha última hora e o que há de segui-la.

Quando os meus pés imóveis me advertirem que a minha carreira neste mundo está próxima a terminar;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando as minhas mãos trêmulas e entorpecidas não puderem mais apertar a vossa imagem sobre o meu coração e, a meu pesar, deixarem-na cair sobre o meu leito de dores;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando os meus olhos, embaciados e espantados pelo horror da morte iminente, lançarem sobre Vós olhar incerto e moribundo;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando os meus lábios frios e trêmulos pronunciarem pela última vez o vosso Nome adorável;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando as minhas faces pálidas e lívidas inspirarem aos circunstantes a compaixão e o terror, e os meus cabelos, banhados do suor da morte, arrepiando-se na minha cabeça, anunciarem estar próximo o meu fim;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando os meus ouvidos, próximos a cerrar-se para sempre às falas dos homens, se abrirem para escutar a vossa voz, que então pronunciará a irrevogável sentença, que fixará a minha sorte por toda a eternidade;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando a minha imaginação, agitada de horrendos e temerosos fantasmas, estiver submergida em mortais tristezas, e o meu espírito, perturbado pela lembrança das minhas iniquidades e pelo temor da vossa justiça, lutar contra o anjo das trevas, que há de querer privar-me da consoladora vista das vossas misericórdias e precipitar-me no abismo da desesperação;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando o meu débil coração, oprimido pelas dores da enfermidade, estiver tomado dos horrores da morte, e extenuado pelos combates contra os inimigos da minha salvação;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando eu derramar as minhas últimas lágrimas, sintomas da minha morte, recebei-as em sacrifício expiatório, para que expire como uma vítima de penitência, e nesse terrível momento;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando os meus parentes e íntimos amigos, estando em torno de mim, se enternecerem à vista do meu lastimoso estado, e por mim Vos invocarem;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando eu tiver perdido o uso de todos os sentidos, o mundo inteiro tiver desaparecido diante de mim, e eu gemer nas angústias da extrema agonia e nas aflições da morte;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando as últimas ânsias do coração forçarem a minha alma a sair do corpo, aceitai-as como nascidas de uma santa impaciência de chegar a Vós; e Vós,

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Quando a minha alma por entre os meus lábios sair para sempre do mundo, e deixar o meu corpo pálido, gelado e sem vida, aceitai a destruição do meu ser como uma homenagem que presto à vossa divina Majestade; e então,

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Finalmente, quando a minha alma comparecer ante Vós, e vir pela primeira vez o resplendor imortal da vossa Majestade, não a expulseis da vossa presença; dignai-vos de receber-me no seio da vossa misericórdia, para que eternamente cante os vossos louvores;

— Ó misericordioso Jesus, tende compaixão de mim.

Oremos. Ó Deus, que, condenando-nos à morte, nos ocultastes a hora e momento dela, fazei que, vivendo eu em justiça e santidade todos os dias da minha vida, possa merecer a graça de sair deste mundo no vosso santo amor. Pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que convosco vive e reina em unidade do Espírito Santo. Amém.

______Oração extraída do livro “As mais belas orações”, de Santo Afonso Maria de Ligório. Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista, e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa. Edição atualizada e acrescida de novos exercícios e orações. Editora Vozes Ltda., 1961, Petrópolis, RJ.

 

(Fonte: revista Catolicismo, nº 815, Novembro/2018, pp. 36-37. A citação evangélica é nossa)

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